o autor diz...

Era somente uma capa de livro

 

--Tempos atrás participei da produção do catálogo de uma editora. O trabalho envolvia, entre outras coisas, criar capas para os livros que seriam publicados ao longo do ano. Um baita desafio.

Depois de alguns dias e de quase todas as capas prontas, chegou por e-mail a última capa, feita por um colega. Minha primeira reação foi abominar aquela capa. “Nunca vi algo tão terrível!”, pensei.

Confiando nas minha habilidades, decidi fazer minha versão para a capa daquele livro. Depois de algumas horas ficou pronta, “perfeita”. E então apresentei as duas capas para algumas pessoas próximas avaliarem qual estava melhor:

“Eu prefiro a primeira.”

“Eu compraria a primeira capa. Ela chama mais a atenção na prateleira.”

Fui derrotado. Afinal, “como é possível que meu trabalho maravilhoso tenha sido derrotado por algo tão abominável?!” Fiquei com raiva, lamentei muito, reclamei. Eu tinha feito algo que eu realmente acreditava estar melhor que o que chegou naquele e-mail. Eu estava muito confiante da vitória.

Foi quando a ficha caiu.

Eu depositava tanta confiança na minha própria capacidade que não aceitava uma resposta contrária. Era somente uma capa de livro. Provisória. Uma imagem. Não era a final de um campeonato. Não merecia aquela minha reação.

Descobri que eu havia me tornado uma pessoa arrogante. E entendi que isso é algo que realmente acontece debaixo dos nossos narizes, silenciosamente. A linha que separa a confiança da arrogância é mais tênue do que imaginamos, e cruzá-la é muito fácil.

Entendi que esse tipo de situação é uma parte do processo. Eu não vou ganhar todas. Não serei aprovado em 100% das situações. E isso faz parte da vida. O que posso fazer é vigiar pra que eu não cruze mais a linha, e buscar ser melhor no que faço. Não para derrotar o colega do lado, mas para eu possa ser uma pessoa melhor, um profissional melhor.

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