crônica, o autor diz...

Brincando com fogo

Eu tinha dez anos de idade, e meu irmão sete e meio. Duas crianças curiosas, entediadas, e que gostavam de brincar com fogo.

Era uma noite quente de abril. Estrelada e silenciosa. Minha mãe assistia TV na sala, ali perto. Então decidimos que seria divertido pegar uns chumaços de algodão, encharcar de álcool – que vinte anos atrás ainda era inflamável – e atear fogo pra vê-los queimando.

E fomos nós brincar com fogo. Tudo ia bem: um, dois, vários chumaços de algodão viravam bolinhas de fogo e sumiam diante dos nossos olhos. O efeito daquela bola de fogo em miniatura até que é bonito. Hipnotizante, pra dizer a verdade. Até que aconteceu.

Um movimento descuidado e a garrafa de meio litro de álcool 96° tombou como uma peça de xadrez vencida. Ela estava destampada, cheia, e meio litro daquele líquido começou a escorrer pelo chão liso do quintal. Não era um quintal grande, na verdade parecia um corredor: tinha mais ou menos dois metros de largura por quatro metros e meio de comprimento, com uma leve inclinação no piso.

A maré alcoólica, assim que encontrou o último dos chumaços flamejantes, transformou aquele quintal em uma piscina infernal num estalar de dedos. A noite já não era mais tão escura para aqueles dois irmãos. A brincadeira já era.

Calor! Fogo! O desespero tomou conta dos dois. E agora? O que fazer? Já sei: água apaga o fogo, né? Sim. Então corre pro tanque! Se a gente apagar esse fogo ninguém vai saber o que aconteceu, certo?

E jogamos água no álcool em chamas. O que era para ser a solução só agravou o problema. Agora tinha fogo escorrendo para a rua! E queimaduras nos pés e nas mãos.

Chama minha mãe! Ô mãe!!

Mãe!!

MÃAAE!!

O QUE FOI, MENINO!? A voz que vinha da sala misturava surpresa e preocupação. Ela chegou. Estamos salvos? Não sei dizer qual foi o sentimento na hora em que ela chegou, mas nunca esquecerei das queimaduras nas mãos. Essas ardiam.

Meu Deus, o que vocês fizeram? Passa pra cá vocês dois! Agora!

Corremos, afinal estávamos salvos por um pouco de tempo. E bastava esperar que o álcool terminasse de queimar sozinho para aquele inferno desaparecer. Mas quando que duas crianças saberiam daquilo?

Queimaduras de segundo grau, água corrente, toalhas molhadas e carinhos de mãe depois, tomamos uma bronca épica. E nunca mais com fogo, mais especificamente chumaços de algodão com álcool. Sabe como as crianças são, né?

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História

A Bíblia emparedada – Abraão de Almeida

Há mais de 150 anos, quando ainda não existia o túnel de São Gotardo, os que se dirigiam à Suíça procedentes da Itália, ou vice-versa, tinham de transpor o desfiladeiro do mesmo nome a pé, o que exigia muito tempo. Como era comum naquele tempo viajar-se em grupos, alguns pedreiros de Lugano se dirigiam à Suíça em busca de melhores salários. Entre estes estava Antônio, um jovem que depois de evangelizado por uma senhora, ganhara desta uma Bíblia de luxo, encadernada a couro. Embora a recebesse, não se interessou em lê-la, pois não queria saber nada do cristianismo.

Já em seu posto de trabalho em Glarus, Antônio, enquanto ajudava na construção de um edifício, zombava e praguejava com os colegas de tudo que fosse sagrado. De repente, ao rebocar uma parede, deparou com um vão que devia ser preenchido com um tijolo.

Subitamente lembrou-se da Bíblia em sua bagagem e disse aos colegas:

― Camaradas, ocorre-me uma boa brincadeira. Vou colocar esta Bíblia neste vão.

Em virtude do tamanho, a Bíblia foi espremida, danificando a encadernação.

― Vejam ― disse Antônio ― agora reboco à frente e quero ver se o diabo consegue tirá-la daqui!

Semanas mais tarde ele voltou à sua pátria.

No dia 10 de maio de 1851, irrompeu em Glarus um grande incêndio que destruiu 490 edifícios. Embora a cidade toda estivesse em ruínas, decidiu-se reconstruí-la.

Um pedreiro perito do norte da Itália, de nome João, foi incumbido de examinar uma residência ainda nova, porém parcialmente destruída. Batendo com seu martelo em diversos pontos de uma parede intacta, a certa altura deslocou-se uma parte do reboco e surgiu um livro embutido na parede. Bastante admirado ele o puxou. Era uma Bíblia…

Como teria ido parar ali? Era-lhe inexplicável, especialmente porque já possuíra uma, mas tinham-na tomado. “Esta eles não me tomarão”, cogitou.

João tornou-se um leitor da Bíblia em toda as suas horas livres. Embora entendesse apenas algumas partes dos Evangelhos e dos Salmos, aprendeu e compreendeu que era um pecador. Descobriu também que Deus o amava e que poderia obter o perdão dos seus pecados pela fé no Senhor Jesus. Quando, no outono, regressou à sua pátria e à sua família, anunciou por toda a parte a sua salvação em Cristo.

Munido de uma mala de bíblias, João aproveitava suas horas livres para divulgar o evangelho. Assim, chegou ele à região onde residia Antônio e armou sua estante de bíblias numa feira. Quando Antônio, perambulando pela feira, parou diante da estante de João, disse:

― Ora, bíblias! Disso não preciso. Basta-me ir a Glarus, pois lá tenho uma bem escondida na parede. Gostaria de saber se o diabo consegue tirá-la dali.

João fitou o homem seriamente e disse:

― Tome cuidado, jovem! Zombar é fácil. O que você diria se eu lhe mostrasse a tal Bíblia?

― Você não me enganaria ― replicou Antônio. ― Reconhecê-la-ia imediatamente, pois ela está marcada. ― E asseverou: ― Nem o diabo consegue tirá-la da parede!

João buscou a Bíblia e perguntou:

― Amigo, reconhece esta marca?

Ao ver a Bíblia danificada, Antônio calou-se, perplexo.

― Você está vendo? No entanto não foi o diabo quem a retirou da parede, mas Deus, para que você pudesse reconhecer que ele vive. Ele quer salvá-lo também.

Nesse instante, embora com sua consciência o acusando, Antônio extravasou todo o ódio acumulado contra Deus. Chamou os amigos:

― Ei, colegas! O que este sujeito, com sua estante religiosa, procura aqui?

Em poucos segundos a estante de João estava arrasada e ele mesmo violentamente agredido. Os agressores rapidamente desapareceram entre o povo.

Desde então Antônio revoltava-se cada vez mais contra Deus. Certo dia, depois de beber em demasia, caiu do andaime a dezessete metros de altura e foi hospitalizado em estado grave. João, ao saber do acidente, foi visitá-lo no hospital. Embora impressionado com a atitude de João, o coração de Antônio continuava empedernido. João o visitou cada semana. Decorrido algum tempo, o acidentado começou a ler a Bíblia, inicialmente como passatempo, e mais tarde com interesse. Certa ocasião leu em Hebreus 12:5: “Filho meu, não menosprezes a correção que vem do Senhor”.

Ora, isso se ajustava bem a seu caso. Antônio prosseguiu a leitura, e a Palavra de Deus, capaz de esmiuçar a penha, passou a operar em sua vida. Reconheceu sua culpa e confessou-a a Deus. Creu verdadeiramente na obra de Cristo consumada na cruz. Sua alma convalescera, porém seu quadril, paralisado, o incapacitava para a sua antiga profissão. Encontrou um serviço condizente com suas aptidões, e, mais tarde, casou-se com a filha de João, agora seu sogro, amigo e pai na fé.

Antônio já está, há muito, na pátria celestial, mas a Bíblia por ele emparedada permanece como uma valiosa herança de seus descendentes.

Abraão de Almeida

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AD História

Missionária Otília Macedo – histórias da Assembleia de Deus em Madureira

A missionária Otília Macedo é um dos membros mais antigos da Assembleia de Deus em Madureira, e é uma das Fundadoras da CIBE, em 1941. Nesse depoimento ela nos conta histórias que aconteceram na época que o templo da AD em Madureira ainda ficava na Rua João Vicente, 7. Hoje esse templo não existe mais, no seu lugar foi construído um prédio onde funciona o Instituto Bíblico Ebenezer. É uma rápida viagem na história da maior denominação do Brasil.

O livro “Tributo ao Centenário das Assembleias de Deus no Brasil” pode ser adquirido na Loja Virtual da Editora Betel.

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AD História

30 de abril de 1924

Cópia da lista de assinaturas dos fundadores da Assembleia de Deus no Rio de Janeiro.

Em 1924, a Assembleia de Deus dava os seus primeiros passos no Rio de Janeiro, então Capital do Brasil. Muitos crentes haviam vindo de Belém do Pará nos anos anteriores, e muitos deles congregaram na Assembleia de Deus de lá, onde o missionário Gunnar Vingren era o pastor. Esses crentes frequentavam uma igreja conhecida como “Igreja do Orfanato”, administrada por um missionário inglês, que tempos antes conhecera o missionário Vingren, que estava de passagem pela cidade.

Foi nessa igreja que Paulo Leivas Macalão (na época com 21 anos), após encontrar um folheto evangelístico no chão iniciou sua caminhada no caminho da salvação e rendeu-se à Cristo no dia 5 de abril daquele ano.

Naquela época também se realizavam cultos na casa de Eduardo e Florinda Brito, e com a chegada de Heráclito Menezes, que havia sido obreiro na Assembleia de Deus em Belém, passaram-se a realizar cultos de oração e escola dominical. Num desses cultos, após uma oração fervorosa, os irmãos sentiram o desejo de organizar a igreja como Assembleia de Deus no Rio de Janeiro, tornando-se assim a primeira na cidade. Foi no dia 30 de abril, uma quarta-feira, que os crentes reunidos na casa dos Brito elegeram Heráclito Menezes como pastor interino, João Nascimento como diácono e Paulo Macalão como secretário. Começava assim a jornada da Assembleia de Deus no Rio de Janeiro.

Fonte: Tributo ao Centenário das Assembleias de Deus no Brasil

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História, o autor viu...

Túnel do Rei Ezequias e Tanque de Siloé

O Túnel de Ezequias ou Tunel de Siloé é um túnel ou aqueduto que foi escavado na rocha sólida, escavado embaixo de Ophel na cidade de Jerusalém a cerca de 2700 anos, durante o reinado de Ezequias. Foi provavelmente um alargamento de uma caverna pré-existente e é mencionado na Bíblia algumas vezes. É descrito por peritos como uma das grandes proezas de engenharia da antiguidade.

O túnel, que conduzia a Fonte de Giom até a piscina de Siloé, foi projetado para agir como um Aqueduto que trazia água de fontes próximas para abastecer de água a Jerusalém durante um sítio organizado pelos assírios, conduzidos por Senaqueribe.

A construção do túnel foi realizada por escravos, possui aproximadamente 500 metros de extensão de escavações na rocha, com pontos de até 5 metros de altura. Foi idealizado com a finalidade de levar a água a um lugar seguro, evitando a falta de abastecimento de água em caso de guerra, já que Israel estava em iminente perigo de ser atacado pelo exército sírio.

A Bíblia relata o milagre da cura de um cego no Evangelho de João, no capítulo 9, onde o cego, por ordem de Jesus se lava no Tanque de Siloé e é curado:

“E, passando Jesus, viu um homem cego de nascença. E os seus discípulos lhe perguntaram, dizendo: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?
Jesus respondeu: Nem ele pecou nem seus pais; mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus.
Convém que eu faça as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar.
Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo.
Tendo dito isto, cuspiu na terra, e com a saliva fez lodo, e untou com o lodo os olhos do cego.
E disse-lhe: Vai, lava-te no tanque de Siloé (que significa o Enviado). Foi, pois, e lavou-se, e voltou vendo
“. (João 9:1-7)

Uma reportagem realizada pela Rede Globo percorreu o túnel e mostrou as origens do Tanque de Siloé, confira no vídeo abaixo:

Gospel+
Wikipedia
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AD História

Primeira Escola Bíblica Pentecostal – 4 de março de 1922

A Assembleia de Deus já tinha 11 anos de fundação, e se espalhava cada vez mais pelo Brasil. Chegavam mais missionários estrangeiros, e já tinham sido consagrados os primeiros pastores nacionais. A imensa seara demandava mais obreiros dispostos a trabalhar, e se tornava necessário que os mesmos tivessem melhor conhecimento da Palavra de Deus.

Pensando nisso o missionário sueco Samuel Nyström, que havia estudado na Escola Bíblica da Missão Örebro na Suécia em 1914, organizou a primeira Escola Bíblica Pentecostal no Brasil, em Belém/PA. Inspirada nas Escolas Bíblicas para obreiros das igrejas pentecostais suecas, teve como tema “A obra de Deus”, e foi realizada de 4 de março a 4 de abril, com a participação de 16 obreiros. O próprio Samuel Nyström foi o ministrante das aulas.

Desde então, escolas para obreiros passaram a ser realizadas pelas Assembleias de Deus em todo o Brasil, formando bíblica, espiritual, e ministerialmente obreiros para o Senhor há 90 anos.

Fonte: Tributo ao Centenário da Assembleia de Deus no Brasil – Editora Betel

Dicionário do Movimento Pentecostal – CPAD

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AD História

O dia em que dois suecos chegaram no “Pará”

No dia 19 de novembro de 1910, desembarcavam no cais do porto de Belém  do Pará os suecos Gunnar Vingren e Daniel Berg, fundadores da Assembleia de Deus no Brasil. Traziam consigo somente suas bagagens de mão – suas malas com roupas leves para o calor tropical haviam sido extraviadas no embarque.

Não sabiam falar o português, não tinham nenhum contato no Brasil nem sabiam onde iriam passar a noite.

Após desembarcarem na cidade que na época tinha o apelido de “Petit Paris”, sentaram-se num banco de praça, comeram mangas, abundantes na cidade, e oraram a Deus agradecendo pela viagem e pedindo orientação sobre o que fazer na terra para onde haviam sido chamados.

Chamados por Deus alguns meses antes, numa oração na cozinha da casa do irmão Adolf Ulldin, compatriota que morava nos Estados Unidos. O Espírito Santo, através da boca de Ulldin lhes disse que seriam missionários num lugar chamado “Pará”, e que ensinariam ao povo os rudimentos da fé, pois que eram muito simples.

Ao decidirem partir para o Brasil, Vingren viu sua noiva romper o compromisso que tinha com ele. Daniel já havia deixado seu trabalho em Chicago para seguir a Deus ao lado do seu amigo que pastoreava uma igreja Batista que se tornara pentecostal na cidade de South Bend.

No Brasil, Gunnar Vingren e Daniel Berg viram cumprir-se as promessas que Deus tinha para as suas vidas, através deles surgiu e cresceu uma obra gigantesca, que cresceu de maneira avassaladora por todo o Brasil, e que hoje alcança os quatro cantos do mundo: as Assembleias de Deus no Brasil.

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